1.7.14

A minha vida.

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Tenho "finalmente" um quarto com janelas e uma casa de banho com banheira, mas não encontro uma tampa compatível. Tenho um trabalho que uns dias me faz sentir bem, outros nem tanto. Tenho todos os meses um salário, mas todos os meses tenho que ver se esta correto. Tive uma entrevista de emprego daquelas que nos fazem subir um pouquinho o ego, mas não me disseram mais nada. Tenho uma viagem marcada, mas tudo me assusta nela. Tenho roupa bonita, mas ando quase todos os dias de farda. Tenho uma casa linda, mas tenho tantas saudades da minha mãe e da minha avó (ainda que as veja todos os dias). Tenho "muitas" amigas, mas maioritariamente sinto-me sozinha. Tenho carteira profissional de jornalista, mas tenho que a devolver. Tenho um gato e um cão, mas há quase dois anos vi um gato sair pela minha porta e não voltou. Ainda o choro. Agora, por exemplo, choro. Tenho um afilhado bebé, mas está longe. Tenho um curso superior, mas sou vendedora de loja. Tenho um cabelo lindo, mas o meu nariz cada vez está mais torto. Tenho um sobrinho que adora água, mas eu fico sempre assustada quando ele está na praia. Tenho um namorado que amo, mas sou desajeitada com os afetos. Amo a minha mãe e a minha avó, mas sei que nunca lhes conseguirei dizer. Gosto de dançar, mas não tenho quem me acompanhe. Tenho um tio que gosta de dançar comigo, está na Suiça. Um dia quis ser poeta, perdi-me no meio das palavras. Um dia quase fiz um mestrado, mas não acabei a tese. Um dia, numa discoteca Algarvia, duas raparigas quiseram saber de onde era o macacão que eu vestia, mas alargou no meu corpo. Tenho tanto nesta vida, e tenho tão pouco. Tenho uma família que acredito ser tão bonita, mas existirá sempre uma pedra no nosso sapato: chama-se álcool. Nunca ninguém, à excepção de quem passa pelo mesmo, conseguirá entender.

Hoje apeteceu-me escrever. Assim. Sem mais nem porquê. Sem saber que palavras me iriam sair. Eu escrevia assim aos 15 anos. Hoje, finalmente, oiço os duetos de Paulo Gonzo. Hoje é um dia mau. Só porque sim. Sem mais nem porquê.

3 comentários:

Alex disse...

Tens que saber apreciar mais as coisas boas que tens na vida. Porque apesar das pedras no sapato, tens tantas coisas boas para viver! Beijinhos

Opinante disse...

Tens que te focar nas coisas boas! Força!!

Moa disse...

Força! Beijo grande