11.7.16

Hoje somos mais felizes

Hoje acordámos todos mais felizes. Ontem chorei ao ver aqueles que representam o meu país jogar. Ontem chorei quando o Ronaldo teve que sair. Eu, aquela que nem gostava muito do Ronaldo embora sempre lhe tenha reconhecido o mérito e dedicação. Ontem fui mais feliz porque o meu país, aquele que nunca quis deixar mas que cada vez me tem tirado mais os sonhos, me fez voltar a sonhar. Ontem foi só um jogo de futebol é certo, mas ontem a nossa fé renovou-se. No fundo somos todos portugueses.

Obrigada rapazes :)

Deixo um texto de David Fonseca que, basicamente, diz tudo o que penso.

"Se há coisa poderosa no futebol é a metáfora de vida que frequentemente a acompanha. E o que nos diz esta vitória? Coisas simples mas muitas vezes esquecidas dos portugueses: que sonhar é grátis e pode levar-nos longe; que a adversidade e as dificuldades são mesmo pedras no caminho para construir castelos; que ser português não é sinónimo de pensar ou sonhar pequeno, mas sim uma forma única de ser, de todos os tamanhos e vontades; que devemos acreditar muito antes de ver, que a nossa fé no futuro não seja sempre minada pela nossa frequente falta de auto-confiança; que improvisamos melhor que ninguém quando os planos se alteram; que somos capazes de fazer tudo ou mais do que os outros fazem, coisa que parece senso comum, mas nem sempre está claramente presente no nosso espírito interno face ao mundo global; que o trabalho alimenta a esperança e vice-versa; que a ambição não nos esmaga a humildade, somos um dos povos mais bonitos do mundo e não devemos ter medo de afirmá-lo.

E o mais importante de tudo: no fim de contas, à boca das grandes decisões das nossas vidas, o importante é termos mesmo tentado, mas mesmo a sério, sem desculpas. Termos ido até onde nos foi humanamente possível, de coração cheio de esperanças e sonhos. Se falharmos, e desculpem a linguagem mas tenho de parafrasear o Cristiano num dos momentos-chave deste Euro, “que se foda”.

Porque afinal essa coisa de viver e ser feliz tem muito mais a ver com a tentativa e procura constante de fazer algo de extraordinário, por mais pequeno ou maior que seja. Não é o falhanço que nos define, mas sim a nossa vontade permanente de ir mais longe.  E o risco maior que corremos é que, num dia como o de ontem, acabemos mesmo por ir mais longe, mais alto, mais perto do que efectivamente sonhámos.

Agora é sempre a nossa vez."