5.1.12

Eu não gostava muito de dormir contigo porque tu querias sempre apagar a televisão. Mas quem me dera hoje poder ainda dormir contigo muitas vezes. Eu nunca tive melhor acordar do que quando tu estavas na minha casa, acordavas-me sempre com cócegas para me fazeres levantar da cama rápido porque como sempre estava atrasada. E quando nos deitávamos brincávamos ao circo. E as vezes que te chateei para me mostrares os dentes? Ou melhor, a ausência deles :P
Se tu ainda fosses viva hoje terias o maior orgulho em mim. Ás vezes imagino como seria se a mãe te ligasse ao fim-de-semana, como habitual, para te dizer que eu tinha passado de ano. E se tu soubesses que eu tinha acabado o curso? Gostava tanto de te ter tido na minha Benção. Quem me dera saber a tua reação quando tirei a carta, já te estou a imaginar a dizer "Agora já podes vir cá quando quiseres". Acho que ias gostar muito do H. e ele de ti, tenho pena que não se tenham conhecido.
E o nosso pequeno I.? Como te ias deliciar com ele.
Nunca me esqueço de ti, no fundo, a saudade nunca morre. E acima de tudo tenho pena de não te ter presente nos grandes momentos da minha vida, de não ter uma fita tua na minha capa, e da tua casa já ter perdido o teu cheiro. Mas na minha memória e na de todos os que te conheceram ficarás sempre, como uma pessoa boa, honesta, meiga. A minha Avó do campo que me fazia cócegas para acordar.

Amo-te Avó A.

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