19.3.12

A carta que o meu PAI nunca vai ler, digo eu.

Foto daqui.

 Hoje é o teu dia Pai. Quer dizer, dizem que é, para mim é um dia como todos os outros. Hoje sinto inveja de todos os filhos que orgulhosos escrevem algo no facebook para o pai. Eu não tenho muito a dizer, porque tu nunca soubeste ser pai. Desculpa, mas é assim. E sim, atira pedras, eu também não sei ser (tua) filha. Talvez tudo sejam circunstâncias da vida, talvez seja melhor assim. Eu acho que tudo podería ser diferente. Sabes, ninguém o sabe, mas eu por muito dura que seja sinto a tua falta. Eu como todos os filhos gostava de te ter por perto, saber que os meus principios e valores, que os meus momentos de felicidade, que cada pedaço de mim tem um pouco teu. Mas não é assim, nada é assim. Falhaste-me sempre, ou quase, também não quero ser injusta. Eu estive internada e tu não me foste ver, eu tive doente e nunca me tiraste a febre, eu fiz anos e tu esqueceste-te, eu fiz a Benção das Pastas e tu disseste que vinhas e não apareceste, tu até hoje não me deste os parabéns pelo meu curso, tu falhaste o batizado do meu sobrinho e eu senti-o como se fosse de um filho meu, tu deixaste-me com medo de alguns Natais. É tudo isto e muito, muito, mais que não me permitem andar para a frente nem melhorar as coisas.
Mas sabes Pai, eu sinto muito a tua falta. Ás vezes eu queria um abraço teu, eu já percebi que a tua voz me acalma. E isso machuca-me. Eu sei que, no fundo, estamos um para o outro, eu não sou a melhor filha e tu não és o melhor pai. Eu sei que digo que comida nunca te faltará se a precisares, mas que de resto não podes contar comigo. Mas podes, pai, como qualquer pai conta com o filho. E talvez eu não saiba e também possa contar contigo sempre. Cada um no seu canto, é certo. Sei que um dia eu vou sentir mesmo a tua falta, vou ter pena desta relação ou ausência dela e já não vai haver nada a fazer, mas a vida é simplesmente aquilo em que as circunstância a tornam. 
Assim como assim, tu és meu Pai e só por isso eu já te amo.

3 comentários:

Rita disse...

como eu te compreendo.. :(

retirava do teu texto algumas coisas, mas a essência é a mesma.

Um beijinho grande!

Cátia disse...

O teu texto está muito bom. Infelizmente não se pode escolher os pais que temos, nem a forma como eles nos tratam. Mas ali estamos nós [filhos] smpr a amá-los.

http://viverentrelacos.blogspot.pt/

Ana disse...

Entendo-te perfeitamente. Pelo menos, amas o teu pai. Eu não amo o meu, tenho a certeza.
Não te deves sentir culpada, lembra-te que o exemplo vem de cima, por isso se ele falhou, é natural que também tu sintas que falhaste. É a relação causa efeito.

Beijinhos